NOTÍCIAS INTERNACIONAIS • GUERRA NA EUROPA
A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a evidenciar as dificuldades para alcançar uma solução diplomática. Poucas horas após o anúncio de novas negociações, os dois países voltaram a se atacar, reforçando a distância entre as iniciativas políticas para encerrar o conflito e a realidade enfrentada pelas populações atingidas pela guerra.
O episódio demonstra que, mesmo quando surgem sinais de abertura para o diálogo, a continuidade das operações militares pode comprometer a confiança entre as partes e dificultar a construção de um acordo duradouro.
A notícia foi publicada pela Folha de S.Paulo em 22 de outubro de 2026. Para compreender a importância desse novo episódio, é necessário observar o contexto das negociações, os objetivos dos governos envolvidos e os obstáculos que continuam impedindo o fim das hostilidades.
Ataques atingem Kiev e Moscou em meio à retomada do diálogo
A nova escalada ocorreu na madrugada de quinta-feira, 22 de outubro. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a Rússia lançou pelo menos 21 mísseis balísticos contra Kiev, capital ucraniana, em três ondas de ataques. Autoridades ucranianas relataram mortes, dezenas de feridos e danos em diferentes regiões do país.
A ofensiva também atingiu estruturas civis e instalações relacionadas ao abastecimento de energia, aumentando a preocupação com os efeitos da guerra sobre a infraestrutura ucraniana.
Em resposta, a Ucrânia lançou centenas de drones em direção a Moscou e a outras áreas russas. Autoridades da Rússia afirmaram ter interceptado um grande número desses equipamentos. Também foram registrados feridos em território russo, embora os balanços divulgados pelas partes apresentem diferenças.
Os números devem ser interpretados com cautela, pois os governos envolvidos no conflito divulgam informações próprias sobre os ataques, e os balanços podem ser atualizados à medida que as equipes de emergência concluem as avaliações.
Estados Unidos tentam reabrir as negociações de paz
A retomada das conversas diplomáticas envolve a atuação do governo do presidente norte-americano Donald Trump. O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, reuniu-se com o presidente russo Vladimir Putin em São Petersburgo, após encontros com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e representantes europeus em Oslo.
Depois da reunião com Witkoff, o Kremlin informou que Putin aceitava, em princípio, retomar negociações trilaterais com a participação dos Estados Unidos e da Ucrânia. As conversas poderiam ocorrer em novembro, mas ainda havia divergências sobre as propostas discutidas.
A iniciativa representa uma tentativa de recuperar o diálogo após meses sem avanços significativos nas negociações.
Entretanto, o anúncio de disposição para conversar não significa que as partes tenham chegado a um acordo sobre os termos necessários para interromper os combates.
Disputa territorial continua sendo um dos principais obstáculos
Um dos pontos mais delicados das negociações envolve o futuro dos territórios ocupados pela Rússia, especialmente na região de Donbass, no leste da Ucrânia.
O governo russo insiste em exigências territoriais e em condições relacionadas à segurança e às alianças militares ucranianas. Kiev, por sua vez, rejeita a entrega de territórios e defende garantias de segurança que impeçam novas ofensivas no futuro.
Essas posições dificultam a elaboração de um acordo que seja aceito pelos dois governos.
Além das questões territoriais, permanecem divergências sobre a dimensão das forças militares ucranianas, o papel da Otan e as condições para um eventual cessar-fogo.
A participação dos Estados Unidos é importante justamente porque Washington exerce influência diplomática e militar no conflito. Ainda assim, a capacidade dos mediadores de aproximar as posições de Moscou e Kiev permanece incerta.
Por que os ataques continuam mesmo com negociações?
A continuidade dos combates durante as iniciativas diplomáticas não é um fenômeno inédito em guerras prolongadas.
Os governos podem manter operações militares enquanto negociam, buscando melhorar suas posições estratégicas ou pressionar o adversário. Isso, porém, não permite concluir automaticamente quais foram as motivações específicas de cada ataque.
No caso atual, a proximidade entre o anúncio das conversas e a nova onda de ofensivas evidencia a dificuldade de transformar compromissos diplomáticos preliminares em mudanças concretas no campo de batalha.
Para que as negociações avancem, será necessário discutir não apenas a realização de reuniões, mas também mecanismos verificáveis para reduzir os ataques, proteger civis e estabelecer condições para um eventual acordo.
Troca de corpos de soldados também ocorreu
Em meio à escalada militar, Rússia e Ucrânia realizaram uma troca de corpos de militares mortos no conflito, com mediação de Belarus.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Moscou entregou 252 corpos, enquanto a Ucrânia entregou 25. Esse tipo de operação humanitária pode ocorrer mesmo quando as relações diplomáticas permanecem tensas.
A troca evidencia que, apesar da continuidade da guerra, ainda existem canais limitados de comunicação entre os dois lados.
Esses mecanismos não representam, por si só, um avanço rumo à paz, mas podem permitir a realização de ações específicas de caráter humanitário.
O que pode acontecer nos próximos dias?
A principal expectativa é saber se as conversas anunciadas resultarão em uma nova rodada formal de negociações e se haverá condições para reduzir a intensidade dos ataques.
Entre os pontos que devem ser acompanhados estão:
- a confirmação de uma data e de um local para as próximas reuniões;
- a participação efetiva de Rússia, Ucrânia e Estados Unidos;
- a possibilidade de medidas para proteger a população civil;
- as condições territoriais e de segurança apresentadas pelos governos;
- a disposição das partes para discutir um cessar-fogo verificável.
A evolução desses temas poderá indicar se a retomada do diálogo representa uma oportunidade concreta ou apenas mais uma tentativa sem resultados imediatos.
A população civil continua entre os mais afetados
Além das consequências militares e diplomáticas, os ataques provocam impactos diretos na vida cotidiana de milhões de pessoas.
Danos a residências, instalações de energia e serviços essenciais podem dificultar o acesso à eletricidade, ao transporte e a outros recursos fundamentais. A repetição de ofensivas também mantém comunidades inteiras sob ameaça e aumenta a necessidade de assistência humanitária.
Por isso, a proteção dos civis e das estruturas indispensáveis à sobrevivência da população permanece uma questão central na avaliação dos acontecimentos.
O direito internacional humanitário estabelece obrigações para todas as partes envolvidas em conflitos armados, incluindo a distinção entre alvos militares e civis e a adoção de precauções para reduzir danos à população.
A paz ainda depende de avanços concretos
A troca de ataques entre Rússia e Ucrânia poucas horas após o anúncio de novas negociações mostra que a abertura diplomática, embora relevante, está longe de representar o fim da guerra.
As divergências sobre território, segurança e alianças militares continuam profundas. Ao mesmo tempo, a continuidade das ofensivas aumenta os riscos para os civis e torna ainda mais urgente a busca por mecanismos capazes de reduzir a violência.
O próximo passo será verificar se os governos conseguirão transformar a disposição declarada para negociar em compromissos concretos, com condições claras de cumprimento e fiscalização.
Acompanhar os próximos desdobramentos será fundamental para entender se essa nova tentativa poderá aproximar os dois países de um cessar-fogo ou se a guerra continuará avançando apesar dos esforços diplomáticos.

















